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Delações da Odebrecht: Sandoval Cardoso pediu R$ 10 milhões para campanha, mas recebeu R$ 4 milhões, diz delator

urante depoimento da delação premiada, o ex-presidente da Saneatins, Mario Amaro da Silveira, relembrou as eleições de 2014 no estado. Disse que na época o governador Sandoval Cardoso (SD), apelidado de ‘Novo Canário’, o chamou no Palácio Araguaia e pediu R$ 10 milhões. O dinheiro era para financiar a campanha política para governador. De acordo com a petição de número 6853, a empreiteira recusou a repassar esse valor e combinou que faria o pagamento de R$ 4 milhões. 

No depoimento, Mario citou a renúncia do governador José Wilson Siqueira Campos e do vice-governador João Oliveira em abril de 2014. Segundo ele, o objetivo do grupo político era apoiar a candidatura de Eduardo Siqueira Campos, filho de José Wilson, ao governo do estado. “Eduardo Siqueira desistiu de ser candidato e o grupo político decidiu por apoiar o Sandoval como candidato”, contou.

Após a renúncia, o presidente da Assembleia Legislativa da época, Sandoval Cardoso, assumiu o governo. Mario conta que no início de maio de 2014, foi chamado para uma conversa no Palácio Araguaia, sede do governo do estado.

“Sandoval Cardoso me chamou no gabinete dele, no palácio de governo, e pediu que eu entrasse pelo elevador privativo”. Foi neste dia que, segundo o ex-presidente da empreiteira, Sandoval pediu uma ajuda de R$ 10 milhões para a campanha. Mario disse que mencionou questões que eram relevantes para a empresa e que não estavam sendo tratadas, como o reajuste tarifário da água e uma dívida que o governo tinha, no valor de R$ 10 milhões.

Sandoval Cardoso assume o governo do TO pela primeira vez (Foto: Divulgação/Sandoval Cardoso)Sandoval Cardoso assume o governo do TO pela primeira vez (Foto: Divulgação/Sandoval Cardoso)

               Sandoval Cardoso assume o governo do TO pela primeira vez (Foto: Divulgação/Sandoval Cardoso)

O delator conta ainda que a empreiteira não concordou com o valor solicitado pelo ex-governador. Ele então voltou pouco depois no Palácio Araguaia para anunciar que a Odebrecht daria R$ 4 milhões. No depoimento, ele cita detalhes. Disse que a “choradeira [de Sandoval] foi tremenda”, mas que a empreiteira não cedeu. “O que posso te estender é um lenço, porque é um valor acima do que a gente tem contribuído”.

Mario disse que o valor foi repassado em parcelas de R$ 500 mil ou R$ 250 mil e que o dinheiro era entregue em São Paulo. Segundo o delator, as tratativas eram feitas com o assessor de campanha de Sandoval, Frederico Gayer, ex-marido da deputada estadual Luana Ribeiro.

Na época, Frederico respondia por um homicídio praticado em Goiânia, no ano de 1997, mas estava em liberdade. Ele foi julgado e condenado a 12 anos de prisão. Chegou a ficar foragido, mas se entregou em dezembro do ano passado.

Conforme o delator, do valor total, uma parcela de R$ 1 milhão foi repassada diretamente a Alexandre Mendonça, filho de Duda Mendonça, o publicitário que coordenou a campanha de Sandoval.

Em 2014, Sandoval perdeu as eleições para Marcelo Miranda. Após o pleito, Mario relata que foi novamente procurado. “Após as eleições, Sandoval me procurou, disse que que tinha perdido, que estava desesperado e que devia R$ 8 milhões para Duda Mendonça e que eu precisava ajudar”.

A empreiteira recusou a pagar o valor na época, mas Mario disse que em 2015, a Odebrecht resolveu quitar a dívida.

Fonte: G1 TO

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